Naturalmente você já deve ter ouvido falar do Transtorno afetivo bipolar (TAB). O grande problema é a grande quantidade de informações erradas e pouco esclarecedoras que tentam definir essa condição na saúde mental.
Pensar nesse transtorno como 2 polos é interessante, pois facilita o entendimento e assim a compreensão correta. Porém está longe de achar que esses polos são “apenas” oscilações do humor durante o dia a dia, ora para “tristeza” ora para “euforia”.
Conhecido também como transtorno bipolar, é uma condição na saúde mental caracterizada por alterações extremas de humor, energia e atividade, que afetam a capacidade da pessoa de viver uma vida normal.
Os episódios de humor podem variar entre a mania ou hipomania (uma forma mais branda da mania) e a depressão, resultando em mudanças drásticas no comportamento, julgamento e funcionamento diário.

Onde devo buscar suporte para o tratamento?
O profissional médico que atua na área da saúde mental é o mais indicado para te dar esse suporte. Ele que poderá realizar uma avaliação cuidadosa e completa, para assim traçar o melhor plano de acompanhamento e tratamento. Plano esse que deve ser individualizado, pois acredito que cada caso deve ser olhado com cuidado e carinho, para uma melhor resposta ao tratamento.
Durante minha atuação na área da saúde mental tenho inúmeros pacientes com diagnostico de TAB. Sempre busco entender cada caso, para melhor atender o paciente.
Quando você individualiza o tratamento, trazendo uma experiência de mais proximidade, todos ganham no final. Ganha o médico em poder oportunizar um tratamento próximo do ideal e com resultados mais satisfatórios. Ganha o paciente, o mais interessado em questão.
Como ela pode ser classificada?
Como em quase todos os transtornos da saúde mental, existe uma classificação relacionada ao agrupamento de sintomas. Por entender que cada grupo desse pode ter características quanto a sinais e sintomas parecidos. Não é diferente com o Transtorno afetivo bipolar, que pode ser classificado segundo a literatura como:
- Transtorno afetivo bipolar do Tipo I: identificado por pelo menos um episódio maníaco que dura pelo menos sete dias ou por episódios maníacos graves que exigem hospitalização imediata. Esses episódios podem ser precedidos ou seguidos por episódios hipomaníacos ou depressivos maiores.
- Transtorno afetivo bipolar do Tipo II: quando envolve pelo menos um episódio hipomaníaco e um ou mais episódios depressivos maiores, mas nunca um episódio maníaco completo (isso deve estar bem claro e compreendido durante a coleta da história do paciente).
- Ciclotimia: compreendida como uma forma mais branda de transtorno afetivo bipolar, caracterizada por períodos de sintomas hipomaníacos e períodos de sintomas depressivos que não atendem aos critérios para um episódio depressivo maior. Os sintomas duram pelo menos dois anos em adultos (um ano em crianças e adolescentes). Seriam então flutuações de humor (patológicas), ora para o polo depressivo ora para o polo maníaco, que, pela pequena quantidade de sintomas ou pela curta duração, não configuram um episódio de depressão ou de (hipo) mania.
A prevalência do tipo I é de 0,6% ao longo da vida e do tipo II, 0,4%. O tipo I não tem diferença entre sexos, o tipo II é mais frequente em mulheres. Em relação à ciclotimia, a prevalência estimada ao longo da vida é de 1,4%.
Mais como saber o que é um episódio maníaco, hipomaníaco ou depressivo? Logo a seguir será apresentado as definições e as características de cada um desses estados de humor alterado.

Como o Transtorno afetivo bipolar se comporta no dia a dia?
Como já falado anteriormente, os sinais e sintomas referidos pelo paciente vão estar englobados em dois polos do transtorno, também entendido como tipos de episódios. Um está relacionado a episodias de mania ou hipomania e outro em episódios depressivos. Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de episódio:
Episódio Maníaco:
- Aumento anormal e persistente da energia ou atividade
- Euforia ou irritabilidade
- Diminuição da necessidade de sono
- Aumento da autoconfiança
- Fala rápida e pressão para continuar falando
- Ideias de grandiosidade
- Comportamentos impulsivos, como gastos excessivos ou atividades sexuais de risco
Episódio Hipomaníaco:
Semelhante ao episódio maníaco, mas os sintomas são menos intensos e não causam prejuízo nas funções sociais ou ocupacionais do paciente. Não há sintomas de grave desestruturação psíquica, como psicóticos ou alterações importantes de estrutura de pensamento.
Episódio Depressivo:
- Humor deprimido ou tristeza persistente
- Perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente apreciadas
- Alterações no apetite ou peso
- Insônia ou hipersonia
- Fadiga ou perda de energia
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
- Dificuldade de concentração
- Pensamentos de morte ou suicídio

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do transtorno afetivo bipolar deve ser realizado por um profissional de saúde mental qualificado, que levará em consideração a história clínica do paciente, a duração e a gravidade dos episódios de humor e o impacto desses episódios na vida diária. O diagnóstico é feito com base nos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que inclui:
- Presença de pelo menos um episódio maníaco (no caso do tipo I) ou hipomaníaco (no caso do tipo II).
- História de episódios depressivos durante a vida.
- Avaliação (e descarte) de possíveis causas médicas ou efeitos de substâncias que poderiam explicar os sintomas.
Principais comorbidades psiquiátricas
Na maioria das vezes o diagnostico do Transtorno afetivo bipolar não vem sozinho, isolado. Uma parcela impotente dos pacientes com esse diagnostico possuem doenças (transtornos ou condições) comórbido que acompanham o diagnóstico de TAB.
As comorbidades associadas com o Transtorno afetivo bipolar são diversas. A que mais chama a atenção é a “dependência e abuso do álcool” com números interessantes para o TAB do tipo I (46%) e para o TAB do Tipo II (39%). Entre as mais importantes estão:
- Dependência e abuso de álcool
- Dependência e abuso de outras drogas
- Transtornos ansiosos
- Transtorno obsessivo-compulsivo
- Transtorno do pânico
- Agorafobia
- Fobia social
- Transtorno de ansiedade generalizada
- Fobia específica
- Transtorno do estresse pós-traumático
- TDAH

Como é o tratamento?
Em todos os tratamentos em saúde mental, dois grupos de tratamento devem ser abordados. Em um grupo que são colocadas condutas não farmacológicas. Um outro grupo que são colocadas condutas farmacológicas para o paciente. O tratamento do transtorno afetivo bipolar é multifacetado e pode incluir:
Condutas farmacológicas:
- tabilizadores de humor: como o lítio, que é eficaz para prevenir episódios maníacos e depressivos.
- Anticonvulsivantes: como a lamotrigina e o ácido valproico, que também são utilizados como estabilizadores de humor.
- Antipsicóticos: podem ser prescritos durante episódios maníacos ou hipomaníacos.
- Antidepressivos: devem ser usados com cautela, pois podem desencadear episódios maníacos em algumas pessoas.
Toda medicação deve ser prescrita com cautela e individualizada para cada paciente. Está longe de ser uma “receita de bolo” em que o mesmo padrão de prescrição vai funcionar ara todos. Uma boa avaliação norteia uma boa prescrição.
Condutas não farmacológicas – Psicoterapia:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): ajuda os pacientes a compreender e gerenciar seus sintomas.
- Terapia Interpessoal e de Ritmo Social (IPSRT): foca na estabilização dos ritmos diários e na melhoria das relações interpessoais.
- Psicoeducação: ensina os pacientes e suas famílias sobre a doença, promovendo a adesão ao tratamento e o reconhecimento precoce de episódios.
Condutas não farmacológicas – Mudanças no Estilo de Vida:
- Adotar rotinas: Manter uma rotina regular de sono e atividade física.
- Evitar substâncias que possam desencadear episódios, como álcool e uso de substâncias.
- Praticar técnicas de gerenciamento de estresse.
Condutas não farmacológicas – Rede de Apoio Familiar:
Envolvimento da família no tratamento pode ser crucial para o suporte emocional e para a compreensão da condição do paciente.
Entendo que o tratamento do transtorno afetivo bipolar é contínuo, e é importante que os pacientes trabalhem em conjunto com seus profissionais de saúde. Isso ajuda a ajustar o tratamento conforme necessidade, visando assim o controle eficaz dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida.
