Primeiro precisamos entender o que é a “ansiedade” e como ela se comporta.
Pela definição da palavra, também como mesmo os pacientes relatam nas histórias contadas, podemos caracterizar como um momento em que a pessoa passa por: preocupação exagerada, angústia, medo, nervosismos e outros sintomas que irão ser explicados logo mais à frente.
Para ela ser caracterizada como um estado doentio (doença) precisa preencher alguns critérios que também vamos falar logo mais.

Quando me preocupar com a ansiedade?
Os sintomas ansiosos fazem parte da nossa vida desde muito cedo. Nos acompanham desde a idade escolar e até a vida adulta.
Na verdade, tem certa importância ter um “pouco” de sintomas ansiosos durante nosso dia a dia. Eles podem nos proteger de situações importantes e nos deixar alertado para coisas importantes.
Não quer dizer que sintomas ansiosos são sempre benéficos na vida, mas que temos que saber o quanto eles estão sendo “disfuncionais” para nosso dia a dia.
“Disfuncional” é tudo que não é funcional para seu dia a dia. Para ficar mais claro vou te apresentar duas situações em que sintomas ansiosos podem ser funcionais (normal) ou disfuncionais (anormais).
1- Funcionais: Um aluno de faculdade fica apreensivo um dia anterior com uma apresentação oral de um trabalho para faculdade. Fica nervoso e com medo de que essa apresentação não saia como planejado. Porém essa situação não é recorrente e faz com que ele se prepare mais. Essa situação também não muda a rotina da vida dele como: quadro de insônia, palpitação, aumento ou perda de apetite.
2- Disfuncional: Esse mesmo aluno de faculdade toda vez que vai apresentar um trabalho ou mesmo em outras situações do dia a dia tem sintomas ansioso que mudam a funcionalidade, trazem prejuízo significativo para seu cotidiano. Não apenas nessa situação, mas também em outras. Acompanhado de sintomas como: preocupação excessiva, alterações de sono e apetite se repetindo por várias vezes.
Percebeu a diferença entre os dois casos?
Quais são os sintomas da ansiedade?
De uma forma geral os sintomas de quadros de ansiedade não são difíceis de perceber. O próprio paciente quando procura a ajuda do profissional médico consegue descrever muito bem eles. Porém vou listar eles aqui para deixar você mais atento:
- Medo
- Angústia
- Preocupação excessiva
- Expectativa apreensiva
- Dificuldade de concentração
- Alteração do sono e do apetite
- Alterações do funcionamento do intestino
Mas os sintomas são apenas esses? Você pode estar pensando: Meu coração acelera, tenho falta de ar… Isso mesmo, os sintomas podem ser físicos também como: taquicardia, sudorese, dor no peito, tontura, falta de ar (dispneia), sensação morte (em alguns tipos de transtornos ansiosos) dentre outros.
Esses sintomas que foram relatadas devem persistir e ser recorrentes na vida da pessoa (ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 6 meses). Com isso podemos separar sintomas ansiosos normais do dia a dia de um quadro de transtorno de ansiedade.
Todo quadro de ansiedade é igual?
Não! Existe uma série de estados doentios que se enquadram em um conjunto de doenças que chamamos de Transtornos de Ansiedade.
O DSM-5, que é O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua 5.ª edição, faz um agrupamento de doenças que se enquadram nos Transtornos Ansiosos.
Dentre as mais importantes podemos citar 5:
1- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
2- Transtorno do pânico (TP)
3- Fobias específicas
4- Transtorno de ansiedade social (TAS)
5- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)
Todos esses transtornos citados anteriormente têm sua classificação bem definida e sintomas específicos que podemos assim diferenciar um do outro. Porém todos carregam um pouco de sintomas que se repetem nas queixas dos pacientes.
Entender durante a consulta qual dos transtornos de ansiedade o paciente se encaixa é muito importante. Assim podemos oportunizar um melhor acompanhamento e tratamento mais eficaz.

Como tratar a ansiedade?
Tratar a ansiedade é uma tarefa que envolve dos grupos distintos de abordagens.
Um grupo que são colocadas condutas não farmacológicas. Um outro grupo que são colocadas condutas farmacológicas para o paciente.
Condutas não farmacológicas:
Nesse momento, depois de ser identificado o quadro específico de ansiedade do paciente, é explicado durante a consulta todas a medidas que não envolvem medicamentos e que vão auxiliar no tratamento.
Mudanças de estilo de vida, indicação de atividade física, orientações quanto a possíveis “gatilhos” que podem gerar o quadro ansioso, solicitação de exames laboratoriais e psicoterapia.
IMPORTANTE:
Gatilhos: Situação que podem gerar e despertar os quadros ansiosos no paciente. Identificar essas situações tem papel importante na construção da história da doença e orientações durante as condutas.
Psicoterapia: O emprego dessa terapia pode ajudar o paciente a identificar e alterar comportamento e pensamentos que estão sendo prejudiciais para o dia a dia e que de certa forma colaboram para o quadro dos sintomas ansiosos. Dentre as várias técnicas em pregadas a que mais tem se mostrado eficaz é a TCC (terapia cognitiva comportamental). Porém seu psicólogo que irá avaliar qual terá mais benefício para seu caso.
Condutas farmacológicas:
Hoje existe no mercado uma quantidade grande de medicamentos que possuem sua eficácia comprovada no tratamento de quadros de ansiedade.
Uma das classes farmacológicas mais indicadas na literatura são os antidepressivos. Não quer dizer que são os únicos a serem utilizadas. Cada caso deve ser avaliado de forma individual.
A escolha da medicação deve ser bem avaliada pelo médico. Muitos fatores devem ser levados em consideração. Efeitos colaterais, dose a ser administrada, tempo de ação, uso anterior de outra medicação, interação medicamentosa com outros medicamentos em uso.
Aqui chamo atenção para outro fator: ser claro e explicar de forma objetivo sobre a medicação para o paciente. Não fazendo isso o risco de uma pouca adesão e baixa eficácia pode ser grande. Um exemplo claro desse ponto é explicar para o paciente que os efeitos benéficos da medicação podem demorar de 10 a 15 dias para serem percebidos.
Com o início da medicação e a espera do tempo adequado para a ação podemos assim avaliar aumento de doses, troca e medicação ou até mesmo combinação de medicação (em alguns casos necessário).
Sempre vou tratar a ansiedade com medicação?
Nem sempre! Cada caso deve ser bem avaliado pelo médico. Por isso acredito em consultas bem completas com histórias bem colhidas.
Prezo em minhas consultas entender a fundo como posso ajudar meu paciente de forma objetiva. Fazendo assim, priorizo tratar o paciente e não apenas a doença que ele me apresenta.
Acredito que com o tratamento e acompanhamento adequados o paciente consegue ter uma vida mais tranquila e “funcional”.
