Como na “Ansiedade” (sugiro ler o artigo sobre ansiedade) a Depressão, ou mesmo os sintomas depressivos, nos acompanham durante toda nossa vida. Na depressão, diferente da ansiedade, os sintomas estão relacionados a alterações do humor para o polo triste. Porém não vamos encontrar apenas sintomas de tristeza, mas muitos outros que serão descritos logo mais. Sendo assim apenas a tristeza não faz um diagnóstico de depressão.

Como saber se é tristeza ou depressão?
Os sintomas tristes são os mais evidentes nos quadros depressivos. Na verdade, são eles que chamam a atenção em primeiro momento. Porém devemos analisar que ficar triste no decorrer do nosso dia a dia ou mesmo na vida, faz parte de uma rotina normal (com alterações do humor). Como a tristeza por uma nota baixa, tristeza pelo término de um relacionamento dentre muitos outros.
Esses eventos tristes que passamos tem momentos bem marcados de início e fim. Quando existe uma persistência desse quadro ou altera o dia a dia da pessoa, devemos nos preocupar e avaliar melhor toda a situação.
Essa perda de funcionalidade devido aos sintomas tristes e com períodos mais prolongados sem resolução aparente pode ser o marco inicial para o aparecimento de transtornos depressivos.
Como no entendimento dos transtornos de ansiedade para apenas sintomas ansiosos, também ocorre na avaliação dos transtornos depressivos para sintomas tristes ou tristeza.
Quais são os sintomas da depressão?
Os sintomas de quadros de depressão não são difíceis de perceber. Na maioria das vezes o próprio paciente quando procura a ajuda do profissional médico consegue descrever muito bem eles. Vou listar eles aqui para deixar claro:
- Humor deprimido
- Perda de interesse ou prazer (anedonia)
- Alterações de apetite e peso (para mais ou menos)
- Alterações no sono (para mais ou menos)
- Fadiga e cansaço
- Retardo ou agitação psicomotora
- Alterações cognitivas
- Sintomas psicóticos
Esses sintomas podem aparecer de forma isolada ou em conjunto. Por isso cada quadro depressivo deve ser bem avaliado. Não existe um padrão de paciente bem definidos, quanto aos seus sintomas, na depressão. Além disso os sintomas depressivos podem aparecer secundários a outros transtornos ou condições médicas.
Para o diagnóstico de Transtorno depressivo maior (uma das classificações dos transtornos depressivos mais incidentes no mundo), o DSM-5, que é O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua 5.ª edição, descreve que: “cinco (ou mais) dos sintomas relatados anteriormente devem estar presentes o período de 2 semanas e mudança em relação ao funcionamento anterior”.
O DSM-5 também chama atenção para dois dos sintomas que devem ser dados como importantes na avaliação dos casos: o humor deprimido e a perda de interesse ou prazer (anedonia).

Só existe a depressão maior?
Não! Devido a variedade de sintomas e entendendo que os quadros depressivos podem ser produtos de outras condições médicas, existe uma classificação de Transtornos Depressivos ou Síndromes Depressivas. Essa divisão auxilia o médico em melhor traçar suas condutas e terapêuticas para cada paciente. Dentre as mais importantes podemos citar 10:
1- Episódio de depressão e transtorno depressivo maior recorrente
2- Transtorno depressivo persistente e transtorno distímico
3- Depressão atípica
4- Depressão tipo melancólica
5- Depressão psicótica
6- Estupor depressivo
7- Depressão ansiosa
8- Depressão unipolar ou depressão bipolar
9- Depressão como transtorno disfórico pré-menstrual
10- Depressão mista
Em primeiro momento parece complexo e difícil de entender toda essa subdivisão. Porém saber de forma clara e objetivo em qual subtipo o paciente mais se encaixa, ou está passando no momento, facilita muito na condução do tratamento. Nesse momento deve se também lembrar de 2 aspectos importantes:
1- Em uma grande parcela dos pacientes o quadro depressivo não vem isolado, sintomas ansiosos também podem ser notados na história e cotidiano relatados.
2- A perda de funcionalidade, no dia a dia do paciente, deve ser bem compreendida. Perda de dias trabalhados, atraso em compromissos, prejuízo na parte escolar, isolamento social são exemplos claros.
Como tratar a depressão?
Tratar a depressão é uma tarefa que envolve dois grupos distintos de abordagens (como explicado no artigo sobre “Ansiedade”). Um grupo que são colocadas condutas não farmacológicas. Um outro grupo que são colocadas condutas farmacológicas para o paciente.
Condutas não farmacológicas:
Nesse momento organizamos todas as condutas que serão realizadas e orientadas para o paciente que não envolvem medicamentos. Compreender os motivos do quadro depressivo deixa mais claro o que será ofertado.
Solicitação de exames laboratoriais em alguns casos é de extrema importância. Podem nos mostrar possíveis alterações laboratoriais que favorecem quadros depressivos. Eles também podem nos ajudar a descartar hipóteses diagnósticas que foram pensadas. Como a solicitação de hemograma, glicemia de jejum, perfil lipídico, TGO, TGP dentre outros. Vale sempre lembrar que condições médicas diversas podem cursar com sintomas depressivos.
Indicação de atividade física e orientações quanto a alimentação do paciente. Dois pontos mais que provados na literatura médica que quando bem ajustados podem favorecer muito no tratamento de quadros depressivos.
Encaminhamento para psicoterapia. Dentre as várias técnicas empregadas a que mais tem se mostrado eficaz é a TCC (terapia cognitiva comportamental). Porém seu psicólogo que irá avaliar qual terá mais benefício para seu caso.
Condutas farmacológicas:
Assim como no tratamento para os quadros de transtornos de ansiedade, as medicações com mais resultados interessante para o paciente são os antidepressivos. A indicação de uma medicação vai além de apenas prescrever. Ela passa por uma serie de fatores que devem ser levados em conta: classe da medicação, dosagem, efeitos colaterais, adesão ao tratamento e o mais importante a real necessidade da utilização (benefícios).
Cada caso é um caso. Parece boba essa frase, mas realmente tem uma grande verdade nisso, principalmente na médica e ainda mais na Saúde Mental. Nos quadros depressivos preciso compreender se aquele quadro tem o motivo evidente que possa estar desencadeando toda a sintomatologia. Para deixar mais claro vou preste atenção no exemplo a seguir.
Digamos que uma paciente procura seu médico com sintomas depressivos claro. Ela relata o término de um relacionamento de longa data (20 anos). Porém essa separação não ocorre por completo, uma vez que o ex-marido continua na casa (por motivos de separação de patrimônio) e ela convive com essa situação diariamente. Situação essa que ainda não foi bem resolvida emocionalmente.
Nesse exemplo a utilização da medicação deve ser bem avaliada, porém sem um suporte de psicoterapia talvez não vamos chegar aos resultados esperados.
Qual a melhor forma de tratar a depressão?
Buscando suporte profissional para um diagnóstico correto e assim um tratamento correto. O profissional durante a consulta vai buscar todas as informações possíveis para melhor traçar um plano terapêutico.
Durante minhas consultas procuro ir além do roteiro de uma entrevista padrão. Tento descobrir fatores, que as vezes nem estão evidentes para o paciente, que podem estar desencadeando o quadro depressivo. Por isso acredito em uma consulta focada no paciente e não apenas nos sintomas. Busco durante as orientações explicar que não apenas a medicação vai solucionar o problema. O paciente também é parte do tratamento.
A vida não precisa ser “cinza” (como na depressão), mas a mudança tem que ser de você também. Buscar ajuda já é o primeiro “medicamento” que você “toma” para o tratamento correto.
