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Dr. Rodrigo Disconzi – Saúde Mental/Psiquiatria

A área da saúde mental (psiquiatria) abrange o tratamento e prevenção de um conjunto de doenças que podem afetar a população. Essas doenças têm em comum alterações que podem envolver o humor, comportamento e funcionalidade dos indivíduos e suas relações com o cotidiano.

Não apenas tratar um transtorno já em curso, a saúde mental (psiquiatria) busca trabalhar na prevenção de alterações futuras. Buscando assim um maior equilíbrio entre o individuo e suas interações com a sociedade.

Saúde mental

Saúde mental e o dia a dia

Nosso dia a dia e nossa relação com o cotidiano estão sujeitas o tempo todo a possíveis alterações de comportamento, humor e sentimentos. Viver o tempo todo em equilíbrio saudável com essa relação não é tarefa fácil.

Passamos por situações que podem naturalmente nos deixar com um humor mais triste (hipotímico) ou com um humor mais agitado (hipertímico). Também podemos enfrentar momentos em que ficamos mais preocupados e angustiados (sintomas ansiosos) com situações específicas ou mesmo sem uma causa definida.

Saber lidar com essas alterações e com as situações que podem provocar esse desequilíbrio da harmonia na saúde mental é fator importante para o indivíduo.

O problema está na não capacidade do indivíduo de identificar essas situações e alterações. Também de não compreender que isso pode estar acarretando um considerável problema funcional na sua vida (emprego, família, estudos).

Nesses casos a busca por um profissional médico atuante na saúde mental (psiquiatria) é o mais indicado. É o profissional que vai poder avaliar e tratar de forma objetiva o que está causando o desequilíbrio na saúde mental do paciente. 

Quais são essas doenças?

As mais incidentes no mundo hoje são os quadros de ansiedade e depressão (ler artigo de depressão e ansiedade). Porém outros quadros fazem parte do acompanhamento e tratamento na saúde mental (psiquiatria).

Como os Transtornos de personalidade (Borderline, narcisista dentre outros), Transtornos alimentares (Bulimia nervosa, anorexia nervosa e compulsão alimentar), Transtornos do sono, dependências químicas, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar (ler artigo sobre TAB) dentre muitos outros.

Existem também transtornos que se encaixam em populações específicas como:

  1. Transtorno disfórico pré-menstrual doença somatopsíquica desencadeada pela oscilação dos níveis de esteroides sexuais que acompanham um ciclo menstrual ovulatório.
  2. Transtornos mentais na gestação e no puerpério doenças voltadas aos períodos específicos na gestação e os primeiros meses de vida da criança com a mãe.
  3. Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) um espectro que envolve a desatenção, a impulsividade e a hiperatividade em crianças, adolescente e adultos.
  4. Transtorno do espectro autista (TEA) condição do neurodesenvolvimento caracterizada por prejuízos à comunicação social associados a padrões de comportamento restritos e repetitivos que interferem no funcionamento do indivíduo.
  5. Transtorno de conduta (TC) e Transtorno desafiador e opositor (TOD) dificuldades no autocontrole das emoções e dos comportamentos associado à violação dos direitos de outras pessoas em crianças e adolescentes.
  6. Transtorno mental no idoso condições médicas voltadas a saúde mental que tem o surgimento nesse período de vida do paciente.

Nota se assim a grande área de atuação (prevenção, tratamento e acompanhamento) que a saúde mental (psiquiatria) atende. Sempre com o objetivo de realizar o diagnóstico de forma objetiva para assim dar o suporte adequado para cada paciente.  

Como é a consulta na Saúde mental?

A consulta na área da saúde mental (psiquiatria) deve ser realizada de uma forma abrangente, humanizada e acolhedora, não deixando de lado a intenção objetiva de realizar a solução dos problemas em questão.

É importante para o profissional compreender toda a história e queixas que o paciente tem em relação aos problemas para que busca ajuda. Nesse momento o profissional deve se afastar de qualquer preconceito e estigma que possa interferir na relação médico paciente.

O objetivo real da consulta é identificar qual pode ser o “gatilho” ou situação que desperta o desequilíbrio prejudicial na saúde mental do paciente. Em muitas vezes comportamento ou eventos antigos na história de vida podem ser os responsáveis.

Consulta psiquiatria

Quais são os modelos de terapia?

Como o comportamento de cada doença pode mudar de paciente para paciente, a conduta adotada também muda de paciente para paciente. Não existe um padrão único de tratamento e na verdade quando o profissional adota essa estratégia acaba errando e não dando o suporte adequado para cada paciente.

Entender que cada “depressão”, por exemplo, pode se comportar diferente para cada indivíduo é um passo muito importante na condução dos quadros da doença. Isso oportuniza um cuidado, acompanhamento e tratamento individualizado, com maior chance de resultados benéficos para o paciente.  

Em todos os tratamentos em saúde mental, dois grupos de tratamento devem ser abordados. Em um grupo que são colocadas condutas não farmacológicas. Um outro grupo que são colocadas condutas farmacológicas para o paciente.

1- Condutas não farmacológicas:

  • Orientações quanto atividade física com estudos mostrando real benefícios para tratamento de sintomas ansiosos e depressivos
  • Orientações quanto alimentação como nos quadros de transtornos alimentares e nos quadros depressivos e ansiosos.
  • Psicoeducação no dia a dia como no acompanhamento e tratamento de abuso e dependência de substâncias químicas, mostrando a importância do afastamento de “gatilhos”.
  • Orientações quanto ao quadro e sintomas da doença mostrando ao paciente como a doença se comporta e que alterações de funcionalidade ela provoca nas suas relações cotidianas.
  • Encaminhamento para Psicoterapia para avaliação do profissional quanto a melhor técnica para ser empregada e assim auxiliar no tratamento (ex: Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia Familiar, Psicoterapia Psicodinâmica, Psicanálise dentre outras).
  • Solicitação de exames complementares específicos e direcionadores para cada caso. Com o objeto de investigar e auxiliar nos diagnósticos. Como também na forma de acompanhamento durante o tratamento.

2- Condutas farmacológicas:

  • Antidepressivos medicamentos utilizados em vários quadros sintomatológicos e não apenas em sintomas depressivos. Utilizados também no tratamento de sintomas ansiosos, quadros de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtornos alimentares (Bulimia nervosa, anorexia nervosa e compulsão alimentar) dentre outros.
  • Benzodiazepínicos medicamentos com poder em tratar quadro com sintomas ansiosos graves (porém dever ser indicado com cautela). Como também auxiliar no tratamento de outras condições (abstinência na dependência química, quadros de insônia primaria, agitação psicomotora).
  • Estabilizadores do humor muito estudados para o tratamento e acompanhamento do transtorno afetivo bipolar. Porém cada vez mais estudado e utilizado nos tratamentos para transtornos por uso de substâncias (álcool e drogas).
  • Antipsicóticos são primeira escolhano tratamento e acompanhamento da esquizofrenia e outras psicoses. Utilizado também como adjuvante em muitos outros transtornos (transtornos depressivos e transtorno afetivo bipolar).
  • Psicoestimulantes muito indicado para o tratamento do Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

Vale sempre lembrar que a indicação da medicação DEVE sempre passar pela prescrição de um profissional médico capacitado. É ele que vai analisar todos os fatores, como riscos e benefícios, efeitos colaterais, na utilização dessa medicação.

É esse profissional que vai poder escolher o melhor medicamento para cada situação específica. Priorizando para cada situação uma conduta individualizada.

Quais os benefícios

A frase “Não existe nada mais poderoso que uma mente tranquila” é o que mais define minha descrição de ter uma saúde mental harmônica.

Busco durante minhas consultas com meus pacientes entender o que realmente altera o equilíbrio da saúde mental de cada um. Tratar apenas um sintoma, sem entender o real motivo do desequilibro não ajuda por completo (nem o paciente e nem o médico).

Acredito que se consigo oportunizar um melhor equilíbrio na saúde mental do meu paciente, naturalmente vou oportunizar um melhor enfrentamento nas situações do dia a dia dele.

Poder ajudar nesse enfrentamento é um privilégio que a medicina me proporciona a cada dia.

Rodrigo Disconzi

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